Dentre os assuntos que geram entusiasmadas discussões filosóficas há séculos, um dos temas que ainda despertam revolta quando abordados é a manifestação da descrença na existência de Deus, entidade suprema responsável pela criação e regência do universo. Isso se deve à coexistência de opiniões opostas em que, para se demonstrar a força de um posicionamento, faz-se mais necessário refutar o pensamento que a ele se opõe do que construir um argumento convincente que sustente essa posição. No entanto, a discussão acerca da existência ou não de Deus põe em evidência o secular conflito entre ciência e religião, onde a última ainda se fundamenta em conceitos questionáveis no campo da lógica e da razão.

 Os pensadores da Grécia Antiga relutavam em aceitar passivamente as crenças religiosas do próximo, recorrendo à razão e à filosofia para formar uma opinião própria sobre o tema. Com a disseminação do cristianismo, surgiram pensadores com o intuito de provar a existência de um Deus através do uso da razão pura. Trabalhando a favor da Igreja Católica, instituição que se sustentava na representação de uma entidade divina para angariar poder político, pensadores como Santo Agostinho e Tomás de Aquino tornaram, durante muito tempo, a devoção um ato intelectualmente respeitável. De fato, há pelo menos um argumento a favor da existência de Deus que ainda demonstra força entre os filósofos céticos: o da Causa Primordial.

 Este argumento sustenta que, se todo acontecimento tem uma causa, então deve existir uma Causa Primeira a partir da qual tudo se iniciou. Para reforçar esta noção, alguns tratados de Física defendem que quando se traça os processos físicos regressivamente no tempo, demonstra-se que as coisas tiveram um início súbito. Assim, pode-se inferir que isso se deve à criação divina. Mas apesar da consistência deste conceito em particular, grande parte do argumento religioso se baseia no apelo ao coração, em oposição ao intelecto. Quando se analisa o contexto em que foram desenvolvidos os argumentos a favor da Igreja, logo se percebe que a sustentação desses conceitos se deu por sua utilidade na manutenção do poder religioso, e não por sua veracidade.

 Como conseqüência, a censura se tornou a resposta para conter os argumentos contrários ao que impunha a Igreja com seus dogmas. Paralelamente, o desenvolvimento da ciência a partir de Galileu começou a oferecer provas concretas de que grande parte dos argumentos religiosos não passava de falácias. A refutação lógica da noção de uma Terra plana como o centro do universo é um exemplo. A partir de então os conceitos defendidos pelo argumento religioso passaram a perder força e, até hoje, a Igreja Católica se vê obrigada a reavaliar muitos dos posicionamentos que manteve ao longo dos séculos para preservar parte da influência que já obteve. Mas apesar de ter perdido grande parte de seu poder, a visão religiosa ainda predomina amplamente pelo mundo.

Em grande parte, isso se deve ao fato de que a escolha pelo religioso ainda é fortemente influenciada pelo contexto cultural. A maioria das pessoas adota a postura que prevalece em sua própria comunidade, herdando as crenças de seus ascendentes sem buscar um aprofundamento maior sobre o assunto para a formação de opinião. Tendo em vista o medo do desconhecido, a promessa religiosa da vida após a morte ainda é um dos aspectos mais sedutores de sua proposta. Em contrapartida, merecem consideração as palavras do filósofo britânico Bertrand Russell, ao defender que “o cerne da postura científica é a recusa em considerar nossos próprios desejos, gostos e interesses como capazes de fornecer a chave para a compreensão do mundo.”

Quanto à existência ou não de Deus, apesar de ainda não existirem provas concretas que permitam uma conclusão definitiva sobre o assunto, certos detalhes pesam contra o argumento religioso. Um exemplo é o fato de a ciência estar sempre aberta à crítica e à apresentação de evidências que se proponham a prová-la errada, enquanto a religião impõe seus conceitos sustentando-se unicamente na crença através da fé, da fidelidade cega a uma noção ainda incerta, e condena qualquer pessoa que tentar prová-la errada. Shakespeare ilustrou com simplicidade a falibilidade do argumento baseado na fé religiosa ao afirmar que “a verdade nunca perde em ser confirmada.”. Nietzsche também reforçou essa noção ao afirmar que “uma crença forte demonstra apenas a sua força, não a verdade daquilo em que se acredita.”.

(trabalho: construir um texto dissertativo-argumentativo sobre o que der na telha)

Os 5 Sentidos

julho 10, 2009

Poluição Sonora

A audição (do latim auditione) é o sentido que proporciona a capacidade de reconhecer os diferentes sons emitidos pelo ambiente. O órgão responsável pela audição é o ouvido, capaz de captar sons até uma determinada distância.

audição

O sistema auditivo é a porta de entrada para toda música e também todo ruído na vida do ser humano. Esta foto tem o propósito de ressaltar a existência de interferências que dificultam a percepção e interpretação do som, como o excesso de volume e a sobreposição de ruídos diferentes que caracterizam o fenômeno conhecido como poluição sonora.


Podofobia

O olfato, chamado faro nos animais, é um dos cinco sentidos básicos e refere-se à capacidade de captar odores com o sistema olfativo. Diz-se que provavelmente a capacidade para experimentar e expressar emoções teria se desenvolvido a partir da habilidade para processar os odores.

olfato

A capacidade de percepção dos odores invariavelmente gera uma resposta imediata indicando a aprovação ou rejeição ao odor. Esta foto procura transmitir a sensibilidade do sistema olfativo diante de um odor que provoca repulsa e, num instinto de sobrevivência, leva a pessoa a buscar outros ares para respirar.


Agridoce

O paladar consiste em reconhecer os gostos de substâncias em contato com a língua. Através de terminações nervosas livres, percebe-se as sensações táteis químicas associadas aos diferentes sabores.

paladar

As diferentes sensações despertadas pelos sabores doce, amargo, ácido e salgado só se fazem perceptíveis pelo contato com a língua. A intenção desta foto é retratar o contraste entre as nuances do paladar, através do contato de um órgão muscular sensível com a casca dura e áspera que esconde o sabor cítrico e adocicado do abacaxi.


(Con)tato Humano

O tato é um dos cinco sentidos clássicos propostos por Aristóteles. Enquanto sua definição se limitava à percepção da temperatura e da dor, hoje em dia o termo é mais utilizado para a percepção da pressão por terminações nervosas existentes na pele.

tato

O tato é o sentido responsável pelas reações aos contatos físicos do ser humano e pode captar tanto a maciez de um beijo quanto a dor de um tapa no rosto. O objetivo desta foto é mesclar a natureza agressiva e o aspecto apaixonado do toque, ilustrando a ambivalente carga de sentimentos envolvidos no contato físico entre duas pessoas.


Os Olhos Da Cara

A visão é um dos cinco sentidos que permitem o aprimoramento das percepções do mundo. No entanto, alguns neuroanatomistas consideram que a visão engloba dois sentidos, já que são diferentes os receptores responsáveis pela percepção da cor e pela percepção da luminosidade. 

visão

A pessoa deficiente visual necessita auxílio de outros que enxerguem para guiá-la em boa parte do seu cotidiano. Esta foto busca refletir o desespero que toma conta de quem perde a visão e de repente se encontra perdido em uma escuridão que atenua a sensação de impotência do ser humano diante de um mundo que não lhe pertence.

(Trabalho: Criar ensaio fotográfico sobre os 5 sentidos humanos.)

charles mansonEm 1969, Charles Manson foi acusado de organizar uma série de assassinatos que barbarizaram o mundo – entre eles, o da atriz Sharon Tate, esposa do cineasta Roman Polanski e grávida de oito meses. Líder da “família” Manson, uma comunidade que pregava ideais libertários com conotações religiosas e o uso de drogas, era considerado o “Messias” por seus discípulos. Na entrevista a seguir, Manson fala sobre seu passado e a vida de celebridade na prisão.

Allan Kern: Quando você sentiu que havia nascido para ser um líder?
Charles Manson:
Quando terminei minha sentença em 1967 e experimentei o ácido pela primeira vez em um show do Greatful Dead, senti que eu era Jesus Cristo e iria mudar o mundo.

AK: Como surgiu a família Manson?

CM: Eu sempre tive um controle mental sobre as pessoas. Também acho que tenho um talento com a música e todos sabem que a música conquista as pessoas. Além disso, por algum motivo, aonde quer que eu fosse havia sempre umas 30 mulheres. Logo eu estava cercado por seguidores fanáticos dispostos a fazer qualquer coisa por mim.

AK: Até 1967, você era um músico popular, mas não conseguiu um contrato e logo estava fora de moda. A que você atribui isso?
CM:
Nunca fui muito fã de gravar, sabe? Você vai até o estúdio, mas quando chega lá é difícil cantar em um microfone. Símbolos fálicos gigantes apontando para você. Meu relacionamento com música é totalmente subliminar, ela simplesmente flui através de mim.

AK: Já em 1968, dizem que você teve uma epifania ao ouvir o Álbum Branco, dos Beatles. Como foi isso?
CM:
Os Beatles se comunicaram comigo através desse disco. A canção Revolution #9 foi como uma revelação bíblica para mim e o Álbum Branco se transformou no meu evangelho. Piggies denunciava a podridão do sistema e Helter Skelter era o anúncio de uma guerra que se aproximava. Os Beatles queriam que eu provocasse essa guerra e restabelecesse a ordem através da minha família. Dizem que isso foi efeito alucinógeno das drogas, mas eu nunca tive tanta certeza. Nessa época eu também estava me iniciando em cultos satânicos.

AK: Quais eram os seus objetivos com os assassinatos cometidos pela família Manson em agosto de 1969?
CM:
Não fosse a traição (a denúncia de Linda Kasabian, discípula de Charles Manson que presenciou os ataques), certamente algum negro logo seria acusado pelos assassinatos. Isso daria início à guerra entre negros e brancos anunciada em Helter Skelter. Esta seria a maior batalha já travada na história e culminaria no extermínio de todos os brancos.

AK: Isso incluía a família Manson?
CM:
Não. Quando a guerra eclodisse, nós estaríamos abrigados em um lugar que eu gosto de chamar de “poço sem fundo”.

AK: Você e mais quatro membros da família foram presos e condenados à morte em 1971, mas a pena foi alterada para prisão perpétua no ano seguinte. Como você encarou todo esse processo?
CM:
Eu estava paranóico, todo mundo queria me matar. Os xerifes locais andavam pra lá e pra cá perguntando ‘Cadê Jesus Cristo? Vamos pregá-lo na cruz’.

AK: Mas você diz que se sente em casa na prisão. Como é isso?
CM:
Estar na cadeia de certa forma me protegeu desta sociedade podre. Fui traído, assim como aconteceu com Jesus Cristo. A solução era aceitar a minha crucificação orgástica.

AK: Mesmo encarcerado, você continuou controlando a sua família. O que mudou nesses quarenta anos?

CM: Eu virei um popstar. Com o passar dos anos houve um crescimento substancial da minha legião de fãs e discípulos, o que se nota pelas vendas de livros, discos e algumas outras coisas.

AK: Desde a década de 1970, você vem tentando conseguir liberdade condicional, mas teve seus apelos negados em todas as ocasiões. Você acha que um dia conseguirá sair da cadeia?
CM:
Não me importo. A liberdade é um estado de espírito. Estou tão em casa aqui quanto em qualquer outro lugar. A morte é algo psicossomático, um confinamento eterno na solitária, e não há nada que eu deseje mais do que isso.

(Trabalho: forjar uma entrevista com alguma personalidade, viva ou morta, a partir de dados apresentados em outras publicações. Fontes: Rolling Stone Brasil 19 – Abril de 2008 / Superinteressante Especial Contos Bizarros – Novembro de 2003 / Wikipedia).

O Tédio e A Criação

junho 28, 2009

Estudiosos defendem que toda grande obra se origina da falta do que fazer.

A criação do mundo é considerada, por motivos óbvios, o acontecimento mais importante de todos os tempos e até hoje dá o que falar em ambientes que variam de paróquias a mesas de bar. Na maioria das vezes, a obra é atribuída a Deus, o grande Pai, também representado legalmente pelo seu filho pródigo conhecido simplesmente como “Senhor”.

Ainda não há consenso sobre como Deus construiu algo tão colossal em tão pouco tempo e os especuladores ficam alvoroçados nas discussões sobre a matéria-prima utilizada. Contudo, não faltam teorias sobre as motivações do Grande Criador e muitos acreditam que foi o Tédio. Afinal, no princípio nada existia e, consequentemente, não havia nada para se fazer.

Não se sabe se a obra foi pré-concebida em algum tipo de rascunho ou se suas partes foram criadas no calor de uma inspiração momentânea. O fato é que tudo estava pronto em seis dias e há evidências de que a obra foi finalizada antes do prazo de entrega. Segundo rumores, Deus tirou o domingo de folga, tomou um porre e acabou a semana cantarolando We Are The World, entre soluços, abraçado numa garrafa de José Cuervo.

Segundo as Escrituras Sagradas, foi só a partir do quinto dia que Deus resolveu povoar seu belo cenário com inúmeras espécies diferentes que encheram a obra de movimento, brilho e excremento. Providenciou água abundante, comida pra todo mundo e assegurou a criação de condições para que a vida na Terra se mantivesse indefinidamente, por conta própria. E aí deixou tudo sob a supervisão do Homem.

Ironia do destino ou não, dizem que este foi o seu grande erro. De todas as criações de Deus, o homem é a única tão vaidosa que chega a acreditar ter sido feita à imagem do Todo-Poderoso. Onipotente? Prepotente? Quem sabe. O fato é que o Criador foi muito inocente ao delegar tamanha responsabilidade a uma criatura mimada, que mal consegue administrar as próprias contas de luz, água e gás.

(Trabalho: transformar o Gênesis em uma notícia de jornal.)

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