Viagem a Darjeeling (The Darjeeling Limited)

setembro 5, 2010

A química de Jason Schwartzman, Adrien Brody e Owen Wilson: parecem irmãos de verdade

Nitidamente influenciado pela obra de François Truffaut, o norteamericano Wes Anderson tem um jeito peculiar de fazer cinema. Seus filmes apresentam um aspecto autoral inegável, fruto do costume do diretor/roteirista de se envolver em todas as etapas de suas produções. Em outras palavras, é fácil reconhecer o autor pela obra através de marcas registradas presentes em todos os seus filmes.

Em seu quinto filme, Anderson deixou de lado a megalomania cenográfica utilizada no longa anterior (o ótimo A Vida Marinha Com Steve Zissou) para criar um road-movie que se passa, em grande parte, dentro de um trem. Apesar dos percalços de confinar toda a equipe de produção em um espaço tão limitado, o trabalho tem como resultado a fotografia impecável, característica marcante nas obras de Anderson desde Os Excêntricos Tenenbaums.

O filme é precedido por um curta-metragem chamado Hotel Chevalier, que auxilia a compreensão do filme. O curta traz um encontro entre Jack Whitman (Jason Schwartzman) e sua ex-namorada (Natalie Portman) em um hotel em Paris. Os personagens se mostram extremamente desconfiados em diálogos repletos de tensão, mas que chegam a ser cômicos. Em um momento, ela diz que se sentirá péssima se transar com ele. Impassível, ele responde: “Por mim, tudo bem”. E eles transam.

Viagem a Darjeeling narra a jornada de três irmãos que não se falavam há um ano, desde a morte do pai em um acidente de trânsito. Eles partem numa viagem de trem pela Índia numa tentativa de buscar a paz espiritual, reencontrar a mãe (Angelica Houston) e resgatar a unidade familiar perdida. Toda a história se baseia nos conflitos que surgem a partir do relacionamento entre personalidades distintas como as dos três irmãos.

A ideia da viagem parte do mais velho, Francis (Owen Wilson), que sente a falta dos irmãos após sobreviver a uma tentativa de suicídio. Aliás, o ator viveu situação parecida na época das filmagens, o que ajudou a dar credibilidade a uma das melhores atuações de sua carreira. Peter (Adrien Brody), que era o mais apegado ao pai, vive uma crise existencial após descobrir sobre a gravidez de sua mulher. Jack, o caçula, é um jovem escritor em busca de afirmação, que vive às voltas com paixões tão intensas quanto passageiras.

Para o roteiro, o cineasta contou com a inspirada ajuda de Jason Schwartzman e Roman Coppola (filho de Francis, irmão de Sofia). O filme apresenta as mesmas características encontradas em obras anteriores do diretor, como o retrato singelo de relações familiares conturbadas e personagens emocionalmente confusos que se escondem atrás de diálogos evasivos, além de uma indisfarçável preferência pelo rock britânico na escolha das trilhas sonoras.

Em Viagem a Darjeeling, Wes Anderson explora a mesma temática de sempre. Mas o resultado é, definitivamente, seu filme mais belo até o momento.

Viagem a Darjeeling
(The Darjeeling Limited)
2007
Direção:
Wes Anderson
Roteiro: Wes Anderson, Roman Coppola, Jason Schwartzman
Elenco: Owen Wilson, Adrien Brody, Jason Schwartzman, Angelica Houston, Bill Murray, Natalie Portman.
Avaliação IMDB: 7,2

2 Respostas para “Viagem a Darjeeling (The Darjeeling Limited)”

  1. Ariel disse

    Aliás, e tem alguém que mostre melhor essa coisa de “família” do que o Wes? Acho que não! hahaha!
    Fotografia nem se fala. Isso sim é fotografia de filme, e não essas coisas simplistas que a gente vê por aí nos blockbusters.

    Eu amo esse filme. (E te amo tb! hahaha!)
    E a resenha está ótima.

    Beijo!

  2. amanda vox disse

    é,wes andreson… grande cara. fiquei fã desde quando vi ‘os excêntricos tenenbaums’ no cinema. e me lembro que na época muito pouca gente – aí em são josé – se deu ao trabalho de assistir ao filme que tinha além do nome um poster estranho. passei anos sem encontrar alguém que tbm tivesse visto e gostado.
    ele tem as manhas de criar uma atmosfera muito peculiar e humana e por mais bizarros que sejam os personagens conseguimos nos identificar, os identificar neles as nossas emoções.

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