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setembro 19, 2010
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Encontros e Desencontros (Lost in Translation)
setembro 8, 2010

Bill Murray brilha como um cinquentão em crise de meia-idade e Scarlett Johansson, com apenas 18 anos, convence como uma mulher de 25.
Quando lançado em 2003, o segundo filme de Sofia Coppola foi aclamado pela crítica como a salvação de um ano fraco para o cinema. O público também aprovou, e Encontros e Desencontros rendeu 120 milhões de dólares mundo afora. O grande trunfo de Sofia neste filme foi resgatar o talento do cinquentão Bill Murray e apresentar ao mundo o charme de Scarlett Johansson.
Bob Harris (Murray) é um ator decadente em crise de meia-idade que vai a um grande hotel de Tóquio filmar um comercial de whisky. Charlotte (Johansson), recém-formada em Filosofia, está hospedada no mesmo hotel com o marido (Giovanni Ribisi), um fotógrafo de celebridades que só tem olhos para o trabalho. Entre idas e vindas em noites de insônia pelo bar e pela piscina do hotel, Bob e Charlotte se conhecem e passam a compartilhar seus momentos de solidão.
A solidão, inslusive, é o que dá o tom do filme. Os personagens vivem momentos de introspecção, refletindo melancolicamente sobre o ponto de estagnação a que suas vidas chegaram. A barreira da língua acentua significativamente a solidão de ambos, que desenvolvem um sentimento de genuíno prazer por terem encontrado um ao outro no meio daquele caótico vazio.
Acima de tudo, vale destacar a habilidade de Sofia em extrair atuações brilhantes de seus protagonistas. A única dificuldade que a diretora teve com Bill Murray foi encontrá-lo para fazer o convite, o que levou alguns meses. Quanto a Scarlett, Sofia Coppola acertou na mosca ao guiar a atriz, então com 18 anos, no papel de uma mulher de 25. O enfoque na voz rouca de Scarlett foi o artifício perfeito para dar credibilidade à atuação.
O primeiro roteiro orignial de Sofia Coppola, premiado com o Oscar, revela uma identidade cinematográfica bem diferente da do papai Francis. Ele, no entanto, é o maior entusiasta do trabalho da filha e orgulhosamente produz todos os seus filmes. Seja nos personagens, fotografia, figurinos ou na trilha sonora, Sofia Coppola sempre imprime em seus filmes características da sua própria personalidade: tímida, culta, delicada e cool.
Encontros e Desencontros não foge à regra. Assistí-lo é como passar um final de semana chuvoso em casa, confortável, debaixo dos cobertores.
Encontros e Desencontros
(Lost in Translation)
2003
Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Sofia Coppola
Elenco: Scarlett Johansson, Bill Murray, Giovanni Ribisi, Anna Faris.
Avaliação IMDB: 7,9
Viagem a Darjeeling (The Darjeeling Limited)
setembro 5, 2010
Nitidamente influenciado pela obra de François Truffaut, o norteamericano Wes Anderson tem um jeito peculiar de fazer cinema. Seus filmes apresentam um aspecto autoral inegável, fruto do costume do diretor/roteirista de se envolver em todas as etapas de suas produções. Em outras palavras, é fácil reconhecer o autor pela obra através de marcas registradas presentes em todos os seus filmes.
Em seu quinto filme, Anderson deixou de lado a megalomania cenográfica utilizada no longa anterior (o ótimo A Vida Marinha Com Steve Zissou) para criar um road-movie que se passa, em grande parte, dentro de um trem. Apesar dos percalços de confinar toda a equipe de produção em um espaço tão limitado, o trabalho tem como resultado a fotografia impecável, característica marcante nas obras de Anderson desde Os Excêntricos Tenenbaums.
O filme é precedido por um curta-metragem chamado Hotel Chevalier, que auxilia a compreensão do filme. O curta traz um encontro entre Jack Whitman (Jason Schwartzman) e sua ex-namorada (Natalie Portman) em um hotel em Paris. Os personagens se mostram extremamente desconfiados em diálogos repletos de tensão, mas que chegam a ser cômicos. Em um momento, ela diz que se sentirá péssima se transar com ele. Impassível, ele responde: “Por mim, tudo bem”. E eles transam.
Viagem a Darjeeling narra a jornada de três irmãos que não se falavam há um ano, desde a morte do pai em um acidente de trânsito. Eles partem numa viagem de trem pela Índia numa tentativa de buscar a paz espiritual, reencontrar a mãe (Angelica Houston) e resgatar a unidade familiar perdida. Toda a história se baseia nos conflitos que surgem a partir do relacionamento entre personalidades distintas como as dos três irmãos.
A ideia da viagem parte do mais velho, Francis (Owen Wilson), que sente a falta dos irmãos após sobreviver a uma tentativa de suicídio. Aliás, o ator viveu situação parecida na época das filmagens, o que ajudou a dar credibilidade a uma das melhores atuações de sua carreira. Peter (Adrien Brody), que era o mais apegado ao pai, vive uma crise existencial após descobrir sobre a gravidez de sua mulher. Jack, o caçula, é um jovem escritor em busca de afirmação, que vive às voltas com paixões tão intensas quanto passageiras.
Para o roteiro, o cineasta contou com a inspirada ajuda de Jason Schwartzman e Roman Coppola (filho de Francis, irmão de Sofia). O filme apresenta as mesmas características encontradas em obras anteriores do diretor, como o retrato singelo de relações familiares conturbadas e personagens emocionalmente confusos que se escondem atrás de diálogos evasivos, além de uma indisfarçável preferência pelo rock britânico na escolha das trilhas sonoras.
Em Viagem a Darjeeling, Wes Anderson explora a mesma temática de sempre. Mas o resultado é, definitivamente, seu filme mais belo até o momento.
Viagem a Darjeeling
(The Darjeeling Limited)
2007
Direção: Wes Anderson
Roteiro: Wes Anderson, Roman Coppola, Jason Schwartzman
Elenco: Owen Wilson, Adrien Brody, Jason Schwartzman, Angelica Houston, Bill Murray, Natalie Portman.
Avaliação IMDB: 7,2
