Os Piratas do Rock (The Boat That Rocked)
agosto 30, 2010
Os Piratas do Rock é uma daquelas produções britânicas que facilmente agradam o público acostumado com os blockbusters de Hollywood, mas sem perder o charme típico do cinema europeu. Escrito e dirigido por Richard Curtis (conhecido na Inglaterra por roteirizar a série Mr. Bean e uma porção de comédias românticas), o filme é um prato cheio para todo fã de música pop que se preze.
Em 1966 o mundo viu uma efervescência até então inédita na música pop. Foi o ano de lançamentos como Revolver (Beatles), Pet Sounds (Beach Boys) e Face to Face (Kinks), considerados divisores de águas na história do rock. Ainda assim, as rádios oficiais britânicas dedicavam míseros 45 minutos diários de sua programação à música popular. O cenário foi propício para o surgimento de inúmeras rádios-pirata ao redor do Reino Unido, transmitindo as novidades musicais da época a partir de velhos navios pesqueiros que circulavam fora dos limites territoriais britânicos.
O filme gira em torno de uma dessas estações, a fictícia “Radio Rock”. Com a proposta de trazer uma programação de 24 horas diárias com o melhor do rock numa de suas épocas mais produtivas, a rádio rapidamente virou sensação entre o público jovem e despertou a ira das autoridades britânicas, extremamente conservadoras. A estação era formada por um time de DJ’s que aos poucos se tornaram pequenas celebridades do rádio, encabeçados pelo experiente Quentin (Bill Nighy) e por um carismático norteamericano conhecido como “O Conde” (Philip Seymour Hoffman).
Com o retorno do famigerado DJ Gavin Cavanagh (Rhys Ifans) de uma expedição em busca das melhores drogas do mundo, o conteúdo da rádio fica ainda mais subversivo, para desespero do governo. Dentre as práticas rotineiras do grupo destacam-se os jogos recreativos movidos a bebedeiras, a inclusão de palavrões nas transmissões como “mensagens subliminares”, as festas orgásticas com ouvintes cuidadosamente selecionadas e a sabotagem de rádios-pirata concorrentes, quando agiam quase como verdadeiros piratas.
Aliás, esta última parte citada não consta no filme original. Se todas as cenas gravadas tivessem sido incluídas, o filme passaria de três horas de duração. Assim, algumas das cenas mais memoráveis que foram filmadas (segundo o próprio Richard Curtis) ficaram de fora da edição final. Uma delas mostra a viagem de Gavin Cavanagh pelos botecos da América do Sul, quando ele percebe que de nada adianta uma vida repleta de sexo e drogas quando não há o bom e velho rock n’ roll. Portanto, se você viu o filme pela TV, esteja ciente de que perdeu algumas das melhores partes.
A versão do filme em DVD é um dos maiores exemplos de bom uso do espaço de extras no formato. Vale a pena conferir também a trilha sonora, que compila 36 clássicos (uns bem conhecidos, outros mais obscuros) encontrados na programação da rádio. Os Piratas do Rock é uma comédia que vai na contramão de tudo que é explorado atualmente no gênero, para voltar as atenções a uma época em que a música era mais pura, as drogas eram menos letais e a liberdade sexual ainda não se reduzia à mera vulgaridade.
Os Piratas do Rock
(The Boat That Rocked)
2009
Direção: Richard Curtis
Roteiro: Richard Curtis
Elenco: Philip Seymour Hoffman, Lucy Fleming, Bill Nighy, Rhys Darby, Nick Frost, Chris O’Dowd, Tom Wisdom, Jack Davenport, Ralph Brown, Rhys Ifans.
Avaliação IMDB: 7,5

vi esse filme logo que saiu. lembro de ir com uma certa expectativa e de não sair decepcionada, mas também lembro de não sair surpreendida. acho que é um filme bacana para momentos de lazer descompromissado. =)