Closer – Perto Demais

agosto 24, 2010

A cena de striptease de Natalie Portman é uma das mais marcantes da última década

Mike Nichols não precisava provar nada a ninguém quando decidiu levar aos cinemas a peça de Patrick Marber. Naquele ponto de sua prolífica carreira, o homem já devia ter em sua casa um quarto espaçoso só para abrigar a vasta coleção de troféus dos prêmios Grammy, Tony, Oscar, Emmy, Globo de Ouro e tantos outros que já recebeu desde os anos 60. Em Closer, do alto de seus 74 anos, o diretor criou uma obra de arte contemporânea a partir de temas recorrentes em sua carreira: amor e traição.

O que diferencia Closer de boa parte das produções recentes do gênero é o foco psicológico da narrativa. É impossível saber o que se passa nas mentes dos quatro protagonistas, que formam um intrincado quadrado amoroso sustentado em mentiras. A deslealdade dos personagens se dá, acima de tudo, pelo medo que eles têm de se entregar verdadeiramente ao companheiro. São pessoas que querem desesperadamente acreditar no amor, mas não conseguem chegar perto demais de ninguém pois sabem que eles mesmos não são dignos de confiança.

Dan (Jude Law) e Alice (Natalie Portman) se conhecem por obra do acaso, em uma das cenas de abertura mais belas da última década. A primeira vez que seus olhares se encontram é flagrada em câmera lenta, em uma movimentada avenida de Londres, ao som da latejante “The Blower’s Daughter”, de Damien Rice. Já Anna (Julia Roberts) e Larry (Clive Owen) se conhecem após um mal-entendido, se apaixonam e passam a viver juntos. O foco da narativa é a infelicidade dos dois casais, provocada pela convivência forçada entre pessoas que não se amam porém continuam vivendo juntas, talvez por medo da separação ou pura comodidade.

A infidelidade vira algo corriqueiro em suas vidas, até que Dan e Anna decidem romper com seus parceiros para ficarem juntos. Em uma noite, Larry sai para afogar as mágoas em um bar. Bêbado, ele reconhece Alice trabalhando como stripper e pede uma dança particular. Apesar de Mike Nichols ter excluído as cenas de nudez a pedido de Natalie Portman, a polêmica cena consagrou a atriz como uma das mais respeitadas de sua geração, agora adulta. Não por acaso, o papel lhe rendeu o Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante, além de indicações ao Oscar e ao BAFTA (a equivalente britânica da Academia).

A trilha sonora é um espetáculo à parte. A cena inicial perderia muito de seu encanto sem a melancólica canção de Damien Rice, que ainda contribui com a singela “Cold Water”, ambas de seu elogiado disco de estreia. A banda irlandesa The Devlins criou o clima perfeito para o momento em que Larry encontra Alice na casa de striptease com “World Outside”, uma balada sexy e instigante. Bebel Gilberto, a princesa do MPB para exportação, também aparece com três faixas de seu primeiro disco. E, para refinar a ambientação cult chic, a trilha ainda conta com ecos de Wolfgang Amadeus Mozart.

No decorrer do filme, é fácil alimentar a impressão de que a falta de escrúpulos de Dan e Anna faz deles os vilões da história. Mas é justamente aí que a maestria da direção de Mike Nichols faz toda a diferença: como não se pode realmente penetrar nos pensamentos dos personagens, a única certeza que se tem é que ninguém é santo nessa história. Pode-se supor que Larry e Alice foram vítimas da falsidade de seus parceiros, mas ao mesmo tempo percebe-se que eles eram tão enigmáticos quanto Dan e Anna.

Em suma, a conclusão que se tira após o final de Closer é: nunca é possível saber quais são as verdadeiras intenções das pessoas.

Closer – Perto Demais
(Closer)
2004
Direção:
Mike Nichols
Roteiro: Patrick Marber
Elenco: Jude Law, Natalie Portman, Julia Roberts, Clive Owen.
Avaliação IMDB: 7,4

2 Respostas para “Closer – Perto Demais”

  1. Ariel disse

    Amei amor. Apesar de vir sabendo dele já faz tempo, depois que posta sempre fica melhor de se adimirar. A foto encaixou perfeitamente.
    Quanto ao filme, eu sempre amei, até antes de ler a sua visão. Passei a gostar mais.

    Beijos amorzinho.

  2. amanda vox disse

    filmão, filmão. concordo com tudo isso aí. great review.
    mas olha só, a gente nunca mais se falou, vc num tem facebook, tem? pq eu nem tenho mais orkut. se tiver avisa lá, ô-ô.

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